9º ano · Ciências

Evolução das espécies e seleção natural

A teoria da evolução, proposta principalmente pelo naturalista britânico Charles Darwin no século XIX, explica como as espécies de seres vivos mudam ao longo de muitas gerações, e como a enorme diversidade de vida observada atualmente no planeta descende de ancestrais comuns ao longo de bilhões de anos.

Temas abordados nesta unidade

Charles DarwinSeleção naturalEvolução biológicaAncestral comumVariabilidade genéticaAdaptaçãoFósseisHomologiaExtinçãoDarwinismoLamarckismoEspeciação

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Charles Darwin e a viagem do Beagle

O naturalista britânico Charles Darwin desenvolveu grande parte de suas ideias sobre evolução durante uma longa viagem de exploração científica a bordo do navio HMS Beagle, entre 1831 e 1836, que o levou a observar de perto uma enorme diversidade de espécies em diferentes regiões do planeta, especialmente nas ilhas Galápagos, no oceano Pacífico. Lá, Darwin notou que espécies de tentilhões (um tipo de pássaro) em diferentes ilhas apresentavam bicos com formatos distintos, aparentemente adaptados a diferentes tipos de alimento disponível em cada ilha, observação que o levou a refletir profundamente sobre como as espécies poderiam mudar ao longo do tempo e se adaptar a diferentes ambientes, ideias que ele desenvolveria e publicaria décadas depois, em 1859, na obra 'A Origem das Espécies'.

O mecanismo da seleção natural

A seleção natural funciona a partir de alguns princípios interligados: primeiro, dentro de qualquer população de seres vivos existe variabilidade natural entre os indivíduos, ou seja, eles não são todos exatamente iguais; segundo, os recursos do ambiente, como alimento, água e espaço, costumam ser limitados, gerando uma disputa constante pela sobrevivência; terceiro, indivíduos cujas características lhes conferem alguma vantagem nessa disputa (por exemplo, conseguir alimento com mais facilidade ou escapar melhor de predadores) tendem a sobreviver por mais tempo e a deixar mais descendentes; e quarto, como essas características vantajosas costumam ser hereditárias, elas se tornam gradualmente mais comuns na população ao longo de muitas gerações, processo lento que, ao longo de milhões de anos, pode originar novas espécies.

Evidências do registro fóssil

Os fósseis, restos ou marcas preservadas de seres vivos que existiram no passado, fornecem um dos registros mais importantes da história da vida na Terra, permitindo aos cientistas reconstruir, com base em camadas de rochas sedimentares de diferentes idades, como diversas formas de vida surgiram, se modificaram e, em muitos casos, foram extintas ao longo de centenas de milhões de anos. Sequências fósseis de determinados grupos de animais, como cavalos ou baleias, por exemplo, mostram claramente mudanças anatômicas graduais ao longo de milhões de anos, sendo consideradas fortes evidências do processo evolutivo, especialmente quando comparadas e situadas corretamente na escala de tempo geológico.

Homologias e semelhanças entre espécies

Outra importante evidência da evolução vem da comparação anatômica entre diferentes espécies de seres vivos. Estruturas homólogas são aquelas que, apesar de terem funções diferentes em espécies distintas, apresentam uma origem embrionária e uma estrutura interna semelhante, sugerindo que essas espécies compartilham um ancestral comum. Um exemplo clássico é o braço humano, a asa de um morcego, a nadadeira de uma baleia e a pata dianteira de um cavalo, estruturas que, apesar de terem formatos e funções bastante diferentes atualmente (segurar objetos, voar, nadar e correr), apresentam o mesmo padrão básico de ossos, evidenciando um ancestral comum distante compartilhado por todos esses grupos de mamíferos.

Evolução e extinção de espécies

Ao longo da história da vida na Terra, a evolução e a extinção de espécies caminharam sempre juntas: estima-se que mais de 99% de todas as espécies que já existiram no planeta estejam atualmente extintas, tendo desaparecido por não conseguirem se adaptar a mudanças ambientais significativas, como alterações climáticas drásticas, ou por não conseguirem competir com outras espécies pelos mesmos recursos. A extinção de dinossauros não-aviários, há aproximadamente 66 milhões de anos, provavelmente causada pelo impacto de um grande asteroide, é um dos exemplos mais conhecidos, tendo aberto espaço evolutivo para a diversificação de outros grupos de animais, como os mamíferos. Atualmente, muitos cientistas alertam para uma aceleração preocupante nas taxas de extinção de espécies, atribuída principalmente a atividades humanas, como destruição de habitats naturais e mudanças climáticas.

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Perguntas frequentes

O que é seleção natural?

É o mecanismo evolutivo proposto por Darwin segundo o qual indivíduos com características que oferecem alguma vantagem de sobrevivência e reprodução em determinado ambiente tendem a deixar mais descendentes, fazendo com que essas características se tornem mais frequentes na população ao longo de gerações.

A seleção natural muda um indivíduo ao longo de sua vida?

Não. A seleção natural atua sobre populações ao longo de muitas gerações, favorecendo a reprodução de indivíduos com determinadas características hereditárias; um indivíduo isolado não 'evolui' durante sua própria vida por seleção natural.

Quais são algumas evidências científicas da evolução?

O registro fóssil, que mostra mudanças graduais em formas de vida ao longo de milhões de anos; semelhanças anatômicas entre espécies diferentes que compartilham ancestrais comuns (homologias); e, mais recentemente, comparações do DNA entre diferentes espécies, que confirmam graus de parentesco evolutivo.

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