Vozes verbais e concordância avançada
A voz verbal indica a relação entre o sujeito e a ação expressa pelo verbo: na voz ativa, o sujeito pratica a ação; na voz passiva, o sujeito sofre a ação, que é praticada por outro agente (o agente da passiva) ou fica indeterminada; e na voz reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo.
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Voz ativa e voz passiva analítica
Na voz ativa, o sujeito pratica a ação expressa pelo verbo: 'O pedreiro construiu a casa' (sujeito: o pedreiro, que pratica a ação). Na voz passiva analítica, o sujeito da oração sofre a ação, que é praticada por um agente da passiva, introduzido pela preposição 'por': 'A casa foi construída pelo pedreiro' (sujeito: a casa, que sofre a ação; agente da passiva: pelo pedreiro). Essa voz é formada pelo verbo auxiliar 'ser' (ou variações, como 'estar', 'ficar') seguido do particípio do verbo principal, que deve concordar em gênero e número com o sujeito.
Voz passiva sintética (pronominal)
A voz passiva sintética, também chamada pronominal, é formada pelo verbo na voz ativa acompanhado da partícula apassivadora 'se', sem que o agente da ação apareça explicitamente. Exemplo: 'Vendem-se casas na praia' equivale a 'Casas são vendidas na praia'. Nessa construção, 'casas' é sujeito, e o verbo concorda com ele no plural ('vendem-se', e não 'vende-se'). Um erro comum é tratar essas construções como se tivessem sujeito indeterminado, o que leva a erros de concordância, como escrever incorretamente 'vende-se casas' em vez do correto 'vendem-se casas'.
Índice de indeterminação do sujeito com 'se'
É importante não confundir a partícula apassivadora 'se' com o índice de indeterminação do sujeito, também representado pela partícula 'se', mas usado com verbos transitivos indiretos, intransitivos ou de ligação, que não têm objeto direto. Nesse caso, o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular, e não há sujeito determinado: 'Precisa-se de funcionários' (o verbo 'precisar' é transitivo indireto, exige a preposição 'de', então não pode haver sujeito paciente, sendo 'se' apenas índice de indeterminação). Compare com a passiva sintética: 'Vendem-se casas' (verbo transitivo direto, 'casas' é sujeito paciente).
Concordância com percentuais e sujeitos coletivos especificados
Quando o sujeito é uma expressão percentual seguida de substantivo, o verbo pode concordar tanto com o número quanto com o substantivo, sendo mais frequente a concordância com o substantivo especificado: 'Dez por cento dos alunos faltaram à aula' (concordando com 'alunos', no plural). Da mesma forma, quando um sujeito coletivo vem seguido de uma especificação no plural, a concordância pode ser feita no plural: 'A maioria dos alunos estudou' ou 'A maioria dos alunos estudaram', sendo a primeira opção mais recomendada pela norma padrão, mas a segunda também aceita em contextos mais flexíveis.
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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre voz passiva analítica e sintética?
A analítica usa o verbo 'ser' + particípio, com o agente da passiva explícito ou implícito ('O bolo foi feito por ela'); a sintética usa o verbo na voz ativa + a partícula apassivadora 'se' ('Fez-se o bolo').
Como transformar uma frase da voz ativa para a passiva?
O objeto direto da voz ativa vira sujeito na voz passiva, e o sujeito da ativa vira agente da passiva: 'Ela fez o bolo' (ativa) vira 'O bolo foi feito por ela' (passiva).
Como concordar o verbo com expressões como '10% dos alunos'?
O verbo pode concordar tanto com o numeral quanto com o substantivo que o segue, sendo mais comum a concordância com o substantivo: 'Dez por cento dos alunos faltaram' (concordando com 'alunos').