9º ano · Português

Regência verbal e nominal aprofundada

Aprofundando o tema iniciado no 7º ano, este bloco explora casos de regência verbal e nominal que costumam gerar mais dúvida, incluindo verbos que mudam de sentido conforme a preposição usada, verbos que têm regência dupla aceita pela norma culta e casos em que a fala cotidiana se distancia da norma padrão.

Temas abordados nesta unidade

Verbos com regência duplaPreposição facultativaRegência cultaRegência coloquialVerbo 'preferir'Verbo 'namorar'Verbo 'esquecer'Verbo 'obedecer'Complemento pleonásticoNorma culta na regência

Conteúdo completo

Verbos que mudam de sentido conforme a regência

Alguns verbos mudam completamente de sentido dependendo da preposição que os acompanha (ou da ausência dela). O verbo 'assistir' significa 'ver' quando seguido da preposição 'a' ('assistir ao filme'), mas significa 'prestar assistência' ou 'morar' (regionalmente) quando usado sem preposição ('o médico assistiu o paciente'; 'ele assiste em São Paulo'). O verbo 'visar' significa 'ter como objetivo' quando seguido de 'a' + infinitivo ('a campanha visa a reduzir o desperdício'), mas é transitivo direto quando significa 'mirar' ou 'dar visto em documento' ('o funcionário visou o passaporte'). Essas nuances de sentido exigem atenção redobrada na hora de escolher a construção adequada.

Verbos com regência dupla aceita pela norma culta

Alguns verbos admitem mais de uma regência, ambas aceitas pela norma padrão. O verbo 'agradecer' pode ser construído como 'agradecer algo a alguém' (transitivo direto e indireto: 'agradeci o presente à professora') ou como 'agradecer a alguém por algo' (transitivo indireto: 'agradeci à professora pelo presente'). O verbo 'informar' também aceita duas construções: 'informar algo a alguém' ou 'informar alguém de algo'. Reconhecer essa flexibilidade evita que o aluno pense que existe apenas 'uma forma certa' quando, na verdade, a língua oferece mais de uma opção correta para determinados verbos.

Regência de verbos pronominais frequentes

Verbos pronominais (usados com o pronome 'se' ou variações: me, te, nos) costumam ter regência diferente de sua forma sem o pronome. 'Esquecer' (sem pronome) é transitivo direto: 'esqueci o guarda-chuva'. 'Esquecer-se' (com pronome) é transitivo indireto, exigindo a preposição 'de': 'esqueci-me do guarda-chuva'. O mesmo padrão vale para 'lembrar' e 'lembrar-se': 'lembrei o compromisso' / 'lembrei-me do compromisso'. Um erro muito comum é misturar as duas construções, dizendo incorretamente 'esqueci-me o guarda-chuva' ou 'lembrei do compromisso' sem o pronome — cada forma verbal tem sua própria regência, que deve ser respeitada isoladamente.

Regência nominal em contextos formais

Muitos substantivos e adjetivos exigem uma preposição específica em sua regência, o que também é cobrado com frequência em textos e provas formais. O adjetivo 'apto' exige a preposição 'a' ou 'para': 'apto a exercer o cargo'. O substantivo 'obediência' exige a preposição 'a': 'obediência às regras'. O adjetivo 'próximo' exige a preposição 'a' ou 'de': 'próximo à escola'. Assim como na regência verbal, não existe uma regra única que resolva todos os casos de regência nominal — o mais eficiente é ler bastante e consultar o dicionário quando surgir dúvida sobre qual preposição um determinado nome exige.

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Perguntas frequentes

O verbo 'preferir' pede que tipo de construção na norma culta?

Na norma culta, 'preferir' não deve ser seguido de 'do que', e sim da preposição 'a': o correto é 'prefiro estudar a assistir TV', embora 'prefiro estudar do que assistir TV' seja muito comum na fala cotidiana.

Qual a diferença entre 'esquecer algo' e 'esquecer-se de algo'?

As duas formas estão corretas, mas seguem regências diferentes: sem o pronome 'se', o verbo é transitivo direto ('esqueci o caderno'); com o pronome 'se', torna-se transitivo indireto, exigindo a preposição 'de' ('esqueci-me do caderno').

O verbo 'namorar' exige preposição?

Não. Na norma culta, 'namorar' é transitivo direto, sem preposição: o correto é 'ele namora Maria', e não 'ele namora com Maria', construção comum na fala informal, mas evitada na escrita formal.

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